Estimulação magnética na Afasia

Estimulação magnética na Afasia

  • Estimulación magnética en afasia. Clínica San Vicente

ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA NA AFASIA

1.-  INTRODUÇÃO

Depois de sofrer um icto,  já desde a fase aguda pós-lesional, gera-se uma reorganização das redes neuronais que não foram afetadas, de modo que os neurónios saudáveis podem “aprender” funções dos neurónios danificadas e substituir esses, dando lugar à neuroplasticidade ou plasticidade neuronal. A neuroplasticidad ou plasticidade neuronal é a facultade do tecido nervoso para se auto-reorganizar.

Esse fenómeno (Neuroplasticidade) está condicionado por fatores genéticos, idade do paciente, grau de dependência prévio ao evento lesivo, a precocidade com que se inicie a neurorreabilitação, apoio sócio familiar, complicações intercorrentes, bem como pela localização, intensidade, natureza e extensão dessa lesão cerebral.

A maioria dos sintomas depois do acidente cerebrovascular não se devem apenas à lesão nela própria, mas à hiperatividade registada no hemisfério intacto para o lesionado, que fica inibido.

Por outro lado, a EMT (A Estimulação Magnética Transcraniana) acelera os mecanismos de neuroplasticidade, reorganizando com celeridade as conexões cerebrais, isso comporta uma maior eficiência das redes neuronais da área afetada.

A EMT repetitiva (EMTr) de baixa frequência (≤ 1 Hz) aplicada sobre o hemisfério saudável diminui a ativação cortical difusa, posterior a um icto, das áreas motoras primária e secundária de ambos os hemisférios cerebrais, ativando a área cortical lesionada que tinha sido inibida e favorecendo a sua excitabilidade e recuperação motora. Contudo, a EMTr de baixa frequência, frequências (≥ 5 Hz), incrementa a excitabilidade cortical, e pode ser aplicada para produzir uma estimulação neuronal do córtex cerebral do hemisfério lesionado. Ou seja, a EMT acelera os mecanismos de neuroplasticidade reorganizando com celeridade as conexões cerebrais, isso comporta uma maior eficiência das redes neuronais da área afetada.

 

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A EMT passou a ser considerada uma realidade terapêutica em doenças neurodegenerativas, psiquiátricas, neurológicas e de outras especialidades clínicas, uma vez que confere efeitos neuroprotetores, incidindo favoravelmente na modulação da neuroplasticidade, ajudando desta forma o cérebro na sua capacidade para renovar e/ou reconectar circuitos neuronais e, com isso, adquirir novas habilidades e destrezas.

A EMT no icto pode ser usada também como técnica de terapia regenerativa.

Relativamente aos seus efeitos terapêuticos no paciente com icto, a EMT pode ser focalizada para a melhoria da neuroplasticidade, e com isso para cada um dos sintomas associados ao icto (recuperação motora, transtornos da linguagem e a deglutição, depressão e dificuldades percetivas e cognitivas)

A base desta terapia neurorreabilitadora é fundamentada em que o cérebro é uma entidade dinâmica adaptável às alterações ambientais quer internas como externas.

A EMT é uma técnica que nos permite atuar de forma positiva sobre estas alterações neuronais de um modo seguro e não invasivo, sempre que seja implementada por uma equipa médica com experiência: A intensidade do pulso eletromagnético na aplicação da EMT é uma medida individual e específica para cada paciente, portanto devem ser seguidos os guias e os protocolos, e existe variabilidade a depender da Equipa Médica e terapêutica que o aplique.

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2. – O QUE É A AFASIA?

 A afasia consiste num transtorno na capacidade de expressão e/ou compreensão da linguagem, geralmente a raiz de uma lesão na região perisilviana do hemisfério cerebral esquerdo.

 Em resumo, a afasia é uma alteração adquirida da capacidade para emitir e/ou compreender a linguagem, tanto oral e escrita, como gestual.

 A linguagem é o veículo do pensamento. As afasias envolvem quase sempre transtornos das outras funções da linguagem escrita (agrafia) e da leitura (alexia).

 A clínica dos pacientes afásicos, dependerá da localização e o tamanho da lesão cerebral, bem como da capacidade cerebral dos neurónios saudáveis para assumirem as funções dos lesionados (o que se denomina plasticidade neuronal ou neuroplasticidade).

 Em ocasiões, depois do evento lesivo, as alterações organizativas da atividade cerebral interneuronal da zona afetada e das regiões saudáveis circundantes, permitem recuperar a capacidade da linguagem. Por isso, quando os doentes que sofrem afasia superam o período agudo de convalescença e se encontram estabilizados, devem receber um tratamento ortofonista como ajuda para alcançar esse objetivo.

 A etiologia da afasia é variada: um icto ou enfarte cerebral (é a causa mais frequente), um traumatismo cranioencefálico, uma infeção do encéfalo, uma neoplasia cerebral, as demências, etc…

 Os hemisférios cerebrais direito e esquerdo têm funções diferentes relativamente à linguagem, o esquerdo está mais especializado nos aspetos léxico e sintático, e o direito nos aspetos prosódicos ou “emocionais” da linguagem.

3- O QUE É A ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA TRANSCRANIANA (EMT)?

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A EMT é uma forma não invasiva de estimulação do córtex cerebral, e representa uma ferramenta técnica que alarga o leque de possibilidades de estudo e investigação no campo das neurociências, bem como no tratamento de diversas doenças e transtornos neuropsiquiátricos. Permite a estimulação segura, indolor e incruenta do tecido nervoso (córtex cerebral, medula espinal, vias motoras centrais e nervos periféricos), bem como regular de forma controlada a atividade cerebral.

Fundamentos:

A EMT é baseada no princípio de indução eletromagnética, descoberto por Michael Faraday em 1831. Uma corrente elétrica passa através de uma bobina de fio de cobre encapsulada numa carcaça de plástico, situada sobre a cabeça do paciente. No momento em que um pulso de corrente passa através da bobina de estimulação, gera-se um campo magnético que passa através do couro cabeludo e a calota craniana sem se atenuar. Este campo magnético variável no tempo induz uma corrente elétrica no tecido neuronal do cérebro, cujo volume depende da forma, tamanho, tipo e orientação da bobina, a força (intensidade) do campo magnético e a frequência e a duração dos pulsos magnéticos produzidos. Deste modo, a EMT poderia considerar-se como uma forma de estimulação elétrica não invasiva, sem elétrodos, por indução eletromagnética.

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Esta corrente elétrica atua sobre as células cerebrais (neurónios) inibindo ou estimulando os seus efeitos.

Da perspetiva terapêutica, existem uma grande quantidade de estudos que demonstram que a Estimulação Magnética Transcraniana é efetiva e ainda pode ser considerada segura, sempre que se utilizar por uma equipa médica qualificada e se cumpram os guias de segurança.

 4- APLICAÇÕES TERAPÊUTICAS E USO ATUAL DA EMT:

 A EMT, por ser uma técnica não invasiva, bem tolerada e com escassas contraindicações, tornou-se numa terapia “de ponta”, de vanguarda, em diversos transtornos tanto psiquiátricos como neurológicos (especialmente em pacientes com patologia cerebrovascular), e está aprovada pela Food and Drug Administration dos Estados Unidos como tratamento de escolha quando o paciente apresentar uma depressão maior refratária ao tratamento farmacológico convencional.

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As suas aplicações são múltiplas e cada vez mais amplas, devido aos trabalhos de investigação que estão a surgir todos os anos:

Afasia: A afasia, nas suas diferentes modalidades, é uma consequência comum do icto, sobretudo do hemisfério esquerdo, caracterizada por transtornos na fala, a compreensão, a leitura e a escritura. O tratamento mediante EMT resulta mais eficaz, com base na literatura científica publicada, em pacientes com afasia motora (não fluente) ou naquelas afasias globais de predomínio motor.

Vários trabalhos contribuíram a corroborar que a estimulação por ela própria melhora os transtornos da linguagem, quer na identificação de imagens quer na linguagem espontânea, e nos testes de repetição, nominação e compreensão.

 Disfagia orofaríngea: A pesar da sua incidencia ser de 50% nos pacientes com icto, a disfagia orofaríngea encontra-se infraestimada e infradiagnosticada, constituindo uma causa de desnutrição e de pneumonia broncoaspirativa, que incrementa a taxa de mortalidade nestes pacientes (20-30% das mortes pós-icto).

A disfagia orofaríngea produz dois tipos de complicações: alterações na eficácia da deglutição (o que causa malnutrição ou desidratação) e insegurança ao deglutir (que pode chegar a produzir pneumonia por aspiração). A disfagia após um icto é consequência do dano produzido no córtex motor dominante.

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5.- ESQUEMA DE TRATAMINTO

 Antes de iniciar a primeira sessão de EMTR, realiza-se uma visita médica para comprovar que o paciente não apresenta nenhuma contraindicação e que o mesmo está em condições de colaborar no tratamento. Também é realizada uma avaliação ortofonista antes e depois do tratamento, bem como visitas de acompanhamento posteriores, para avaliar a resposta a este tipo de terapia neurorreabilitadora combinada.

PLAN DE TRATAMENTO AFASIA: O protocolo de tratamento da afasia que se realiza na Clínica San Vicente está baseado no protocolo desenvolvido pelo Berenson-Allen Center for Noninvasive Brain Stimulation (CNBS) at Beth Israel Deaconess Medical Center and Harvard Medical School, o qual tem como base de sustentação científica os diferentes trabalhos de investigação levados a cabo fundamentalmente por Margaret Naeser e os seus colaboradores.

 Consiste em 10 sessões de EMTr (uma sessão diária durante os 10 dias laboráveis de duas semanas) de 20 minutos seguidas de tratamento ortofonista intensivo (2 horas diárias aproximadamente).

 PLAN DE TRATAMENTO DISFAGIA: A aplicação da estimulação realiza-se 10 minutos por dia durante 2 semanas, sobre o córtex motor contralesional, tendo-se demonstrado a melhoria da deglutição e a diminuição no risco de aspiração após o tratamento.

 6.- EFEITOS SECUNDÁRIOS

 A EMT é uma técnica segura sempre que se sigam as orientações de segurança. Alguns pacientes submetidos a esta estimulação cortical podem experimentar efeitos secundários após a sua aplicação, que possam ser considerados como leves e passageiros, tal como dores a nível cefálico ou cervical; e que na infrequente situação de persistência, se mitigam mediante a ingestão de analgésicos comuns.

Por outro lado, o risco de sofrer crises epiléticas durante a EMT é muito baixo e não foi demonstrado que a EMT incremente o risco de desenvolver crises epiléticas, em pacientes epiléticos controlados, uma vez finalizada a sessão de estimulação.

  7.- CONTRAINDICAÇÕES

 As principais contraindicações relativas que a EMT tem são: mulheres em período de gestação e crianças menores de seis anos.

 Relativamente  às contraindicações absolutas encontram-se as seguintes: pacientes com marca-passos, elétrodos de estimulação cerebral profunda, dispositivos eletrónicos corporais (bombas de infusão medicamentosa) ou elementos metálicos intracranianos (placas metálicas, arames, parafusos, válvulas cardíacas ou de derivação ventrículo-peritoneal, implantes cocleares, etc.). Também não se deve realizar o tratamento em pacientes que apresentem uma epilepsia não controlada. Prévio início do tratamento, um médico avaliará cada caso de forma individualizada, para descartar a presença de alguma contraindicação.

Símil gráfico de precaución ante contraindicaciones terapéuticas.

8.- CONCLUSÕES

  • A EMT demonstrou ser uma aliada técnica de vanguarda, segura e efetiva, para tratar os défices que podem originar-se depois de sofrer um icto, bem como resultar, em termos de segurança, inócua para o paciente. Igualmente, a EMT resultou especialmente valiosa para ajudar a promover a regeneração cerebral pelo mecanismo de neuroplasticidade.
  • Os pulsos eletromagnéticos excitatórios e inibitórios aplicados no hemisfério cerebral ipsilateral ou contralateral à lesão, bem como a nível da área transcalosa para modular a comunicação entre ambos os hemisférios cerebrais (segundo o efeito que se deseje produzir), brindam-nos a possibilidade de otimizar a atividade cerebral funcional, ao induzir mudanças na conectividade interhemisférica, bem como conseguir uma recuperação da área cerebral danificada num tempo menor.
  • Os diferentes estudos levados a cabo no campo da EMT, constataram a melhoria dos transtornos motores, a afasia, a espasticidade, a disfagia orofaríngea e as dificuldades percetivas e cognitivas que aparecem nos pacientes com um icto.

Símil gráfico de las conclusiones actuales a considerar de la EMT.

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Unidade de reabilitação infantil

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UNIDADE DE REABILITAÇÃO INFANTIL

 

Na Unidade de reabilitação infantil, é realizada a avaliação, prognóstico e tratamento de alterações motoras, alterações clínicas, ortofonistas, neuropsicológicas e psicopatológicas de crianças e adolescentes, usando o amplo repertório de técnicas e procedimentos psicoterapêuticos disponíveis, quer em regime hospitalar quer ambulatório.

SERVIÇOS PARTICIPANTES EM REABILITAÇÃO INFANTIL

  • Neuropediatria
  • Traumatologia
  • Reabilitação
  • Medicina de Família
  • Serviço de Neurofisiologia e Ecografias
  • Neuropsicologia
  • Psicologia Clínica
  • Fisioterapia infantil: método Vojta
  • Terapia Ocupacional
  • Ortofonia
  • Enfermagem

OBJETIVOS GERAIS

  • Avaliação e diagnóstico de alterações neuropsicológicas e psicopatológicas em adolescentes e em população infantil.
  • Elaboração, execução e avaliação de planos de intervenção, e tratamentos de reabilitação após dano cerebral ou traumático.
  • Deteção, identificação e localização de lesões cerebrais e traumatológicas.
  • Estudo e deteção da simulação.
  • Acompanhamento do curso evolutivo cognitivo-comportamental dentro do processo terapêutico.
  • Peritagens psicológicas e ortofonistas
  • Avaliação da reintegração ao âmbito educativo.
  • Avaliação do atraso mental.
  • Avaliação das necessidades educativas especiais.
  • Avaliações médico-legais para indemnizações por acidentes

PROGRAMAS DE REABILITAÇÃO

Programas intensivos de reabilitação em:

  • Transtornos das funções cognitivas.
  • Problemas de aprendizagem.
  • Deficiência mental.
  • Transtorno da linguagem.
  • Transtorno da deglutição
  • Transtornos da comunicação e interação social.
  • Transtorno das condutas motoras
  • Problemas de lateralização.
  • Instabilidade psicomotora.
  • Transtornos do comportamento.
  • Comportamento negativista, desafiante, hostil e agressivo.
  • Fobias e medos.
  • Condutas e rituais obsessivos.
  • Condutas histéricas.
  • Transtornos afetivos.
  • Depressão.
  • Angústia e Ansiedade.
  • Problemas de controlo de esfíncteres.
  • Transtornos do movimento, hemiplexias e tetraparesias.
  • Reabilitação de politraumatismos por quedas, acidentes de viação ou desportivo

ESCALAS UTILIZADAS NA AVALIAÇÃO DE DÉFICES NEUROPSICOLÓGICOS ESPECÍFICAS PARA POPULAÇÃO INFANTIL

  • Escala de Inteligência de Wechsler para Pré-escolar e Primário (WPPSI): bateria de teste que explora determinadas funções cognitivas, e fornece os cocientes de inteligência verbal, manipulativo e total, de 4 anos a 6 anos e meio de idade.
  • Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças-Revista (WISC-R): bateria de teste que explora determinadas funções cognitivas e fornece os cocientes de inteligência verbal, manipulativo e total em crianças desde os 6 anos até aos 16 anos de idade.
  • Diagnóstico Neuropsicológico Infantil (Luria-DNI): estuda os diferentes processos neuropsicológicos no paciente infantil, sendo muito sensível à mais mínima alteração.
  • Teste do desenho da Família: prova projetiva para o diagnóstico da afetividade infantil, que explora as vivências conflituosas da criança.
  • Teste de Matrizes progressivas de Raven.
  • Figura complexa de Rey.
  • Teste de retenção visual de Benton.
  • Avaliação da afasia e de transtornos relacionados BOSTON.
  • Teste de dominância manual de Harris.
  • Teste de símbolos e dígitos (SDMT).
  • Teste de Labirinto de Porteus.
  • Teste de cores e palavras de STROOP.
  • Teste de análise da leito-escritura TALE.
  • Teste de aperceção temática (adulto e infantil; TAT, CAR-A e CAT-H).
  • Teste do desenho da figura humana de Machover.
  • Fábulas de DÜSS.
  • Teste ABC de Filho.
  • Token test.
  • Exame psicomotor Picq e Vayer.

Unidade de Fisioterapia

Na nossa Unidade de fisioterapia trabalha-se para a prevenção, cura e paliação dos diferentes transtornos do sistema nervoso, respiratório e musculoesquelético causados pelas diferentes lesões, e para conseguir o maior grau de capacidade funcional e independência possíveis para o paciente.

Encontramo-nos com profissionais especializados em fisioterapia neurológica, bem como em fisioterapia respiratória e traumatológica. Os mesmos, servem-se do emprego do Conceito Bobath, Método Perfetti e ferramentas como a punção seca e as ligaduras neuromusculares para as alterações neurológicas; as diversas técnicas de fisioterapia respiratória para melhorar a função respiratória; e técnicas de terapia manual e eletroterapia para as lesões do aparelho locomotor.

Unidade de Psiquiatria

PAPEL DO PSIQUIATRA NA NEURORREABILITAÇÃO

O paciente com dano cerebral apresenta síndromas em que se combinam transtornos cognitivos (memória, linguagem, raciocínio, atenção, etc.) com alterações emocionais e comportamentais. De fato, é muito estranho que apenas padeçam afetação motora (impossibilidade para caminhar, paralisia,…). A nossa obrigação é descrever com detalhe estas alterações na avaliação dos pacientes. Para isso, resulta imprescindível a informação que nos proporcionam os seus familiares, pessoas que conhecem bem o paciente, dado que em ocasiões certas mudanças poderiam passar desapercebidas numa entrevista médica. Por outra parte, para conhecer a situação cognitiva contamos com a inestimável ajuda da avaliação do neuropsicólogo. E para o diagnóstico e tratamento destas alterações, está a presença do psiquiatra. Mas não de um psiquiatra consultor, que examina o paciente numa ocasião e, se considerar oportuno, indica um tratamento, mas de um psiquiatra “de cabeceira”. No dia-a-dia, o estar com o paciente, resulta fundamental para conhecer o mesmo e a sua evolução. Uma outra função do psiquiatra pode ser modular a interação da equipa interdisciplinar com as famílias. As pessoas podem sentir apoio e sintonia com uma simples escuta ativa, empática.

As pessoas afetadas com dano cerebral podem apresentar mudanças de humor, labilidade emocional, com tendência a chorar ou rir sem razão aparente. Pode surgir com relativa frequência uma depressão, que deve ser tratada farmacologicamente, porque caso contrário pode estagnar a progressão geral do paciente. De fato, face à não melhoria de um paciente, sem causa orgânica ou tempo decorrido que o justifique, deve suspeitar-se a presença de uma depressão. Também é frequente a desinibição, a falta de autocontrolo ou “travão”, que pode levar o paciente a dizer tudo o que pensa, sem considerar se é apropriado ou não, ou à ação, sem prever as consequências dos seus atos, imperando a impulsividade, e não respeitando as normas sociais. Pode surgir ira, irritabilidade ou, até, agressividade. Mas também se dá o caso contrário, aparecendo então apatia. Noutras ocasiões, pode predominar certa impaciência, imaturidade, puerilidade ou comportamentos egocêntricos, sendo, em geral, pouco empáticos. Querem alguma coisa e querem-na já, sem capacidade de demora. A forma de ser do afetado, a sua personalidade, pode mudar após um dano cerebral. Isso pode traduzir-se numa exacerbação, uma exageração dos traços prévios da sua forma de ser, até uma mudança radical, extrema, que chega a fazer verbalizar ao familiar “tenho um estranho em casa”, “não o reconheço”.

Em muitos casos, a psicofarmacologia pode ser útil para tratar determinadas alterações que podem surgir. Assim, por exemplo, pode ser de grande ajuda na insónia, na labilidade emocional ou na depressão. De fato, uma alta percentagem de pacientes beneficiam dos tratamentos psicofarmacológicos. O psiquiatra especialista em dano cerebral conhecerá as medicações que podem provocar iatrogenia em pacientes afetos de dano cerebral e que, portanto, não se devem utilizar. Também será indicado, se assim for considerado, uma vez informada a família e o paciente, a conveniência de utilizar certas técnicas tais como a Estimulação Magnética Transcraniana.

A psiquiatria tenta compreender o sofrimento psíquico do indivíduo, estendendo-se à família, portanto a inter-relação entre aquela e o dano cerebral é necessária e ineludível.

Desta forma, no ingresso o psiquiatra realizará uma exploração psicopatológica do paciente e irá manter uma entrevista com a família. Daí, extrairá os dados suficientes para transmitir à equipa a sua situação e modo de atuação. Em ocasiões, será precisa a indicação de contenção física (de não ter consciência de doença e existir risco para a sua pessoa ou terceiros, por agressividade,…). Para ter um conhecimento real da situação cognitiva e afetivo-comportamental, é imprescindível, para além dos dados proporcionados pela Neuropsicologia, a observação do paciente fora de gabinete, o seu modo de atuar, de interagir com as diversas pessoas em situações quotidianas e em diferentes espaços. O seu estado traslada-se ao resto da equipa em sessão clínica, e em função do mesmo, e em consonância com os terapeutas, são planeados os objetivos e é indicado um tratamento, se assim for considerado.

Ao longo do tempo em que permanece o paciente a realizar tratamento neurorreabilitador, revisa-se os pacientes a diário. Desenha-se o seu estado mental e as suas condutas, as suas oscilações ou mudanças, e em função disso atua-se em consonância. Em função da sua evolução são restabelecidos, conjuntamente com o resto da equipa interdisciplinar, os objetivos a conseguir. Neste processo, a família resulta fundamental, e é administrada informação continuada às mesmas.

Quando se aproximar a alta hospitalar, será elaborado o relatório de alta em que se detalha a situação cognitiva e afetivo-comportamental, as melhorias alcançadas e o estado atual, o tratamento farmacológico, se o precisar, e informa-se a família de tudo isso.

Alterações da linguagem: AFASIAS

AS AFASIAS

As afasias constituem transtornos adquiridos da linguagem expressiva e/ou recetiva devidos à lesão cerebral. Salvo exceções, também se apresentam com alterações da leitura e escritura. São transtornos muito frequentes em pessoas que sofrem algum acidente cerebrovascular e uma patologia desconhecida para grande parte da sociedade atual.

A afasia é provavelmente a maior sequela ou limitação, do ponto de vista pessoal, social e económico, causada por um dano cerebral. Portanto, a adaptação a uma perda brusca das capacidades linguísticas implica numerosos ajustes emocionais e cognitivos, uma vez que é através da linguagem que as pessoas canalizam o seu pensamento e se comunicam com a envolvente.

Portanto, a reabilitação da afasia deve cumprir com os objetivos de aumentar as capacidades linguísticas do paciente e, ao mesmo tempo, ajudá-lo a enfrentar a sua nova situação, reelaborando a confiança nele próprio. Quanto antes se iniciar o tratamento e quanto mais frequentes forem as sessões, a recuperação será maior, sobretudo durante o primeiro mês depois da lesão e no decurso dos seis meses seguintes. Posteriormente, a taxa de evolução diminui, mas não cessa.

No entanto, resulta difícil predizer com exatidão o efeito da reabilitação, devido à grande magnitude de fatores que intervêm, quer os próprios da lesão (tipo, localização, etiologia, tamanho…) quer os inerentes ao paciente (idade, dominância manual, sexo…), existindo também outros fatores que podem potenciar o tratamento como o nível intelectual e educativo prévio, o nível de linguagem, a saúde geral e a motivação para a recuperação, entre outros.

Caso contrário, também se podem dar outros fatores associados que dificultariam a recuperação, como as alterações no nível de consciência, os défices sensoriais e motores, a epilepsia ou a depressão. A anosognosia ou desconhecimento por parte do paciente de que apresenta transtornos, supõe um importante obstáculo que torna inviável a reabilitação, por isso tem que se superar antes de aceder à mesma. Os pacientes com anosognosia não percebem que apresentam dificuldades na altura de se exprimirem ou de compreenderem o que se diz, por isso falam utilizando palavras “estranhas” com total naturalidade, e podem admirar-se se a outra pessoa não os entender.

Existem diferentes tipos clínicos de afasias, de acordo com o predomínio das alterações numa ou outra das vertentes da linguagem (expressão, compreensão, repetição e denominação) e os mecanismos linguísticos conservados.

  1. Afasia global ou total: é a forma mais grave de afasia como resultado de uma destruição massiva das zonas da linguagem. Caracteriza-se por uma importante afetação da expressão e da compreensão verbal. Com frequência o paciente apresenta mutismo ou emite sempre a mesma palavra (estereotipia). A repetição é nula. Os pacientes com este tipo de afasia podem apresentar uma atitude de desinteresse para o âmbito e sem intenção comunicativa, chegando a olhar com estranheza quando se tenta interagir com ele. Não podem falar e não podem compreender nada, permanecendo inexpressivos e alheios ao que acontece à sua volta.

Quando a compreensão melhora, mas sem alcançar os níveis próprios de uma afasia de Broca, utiliza-se o qualificativo de afasia motora mista. Nesse caso, o paciente não pode expressar-se ou o faz com esforço, podendo chegar a recitar alguma série cronológica (dias da semana, meses do ano…) ou numérica básica, bem como compreender palavras familiares e expressões quotidianas como saudações.

  1. Afasia motora ou de Broca: caracteriza-se por uma expressão verbal não fluida e diminuída, com esforço para falar, frases reduzidas, alteração da prosódia e supressão de enlaces gramaticais (agramatismo). A capacidade de repetição está alterada, bem como a evocação de nomes de objetos ou figuras (anomia). A compreensão da linguagem falada é sempre melhor que a produção, podendo apresentar algumas dificuldades para compreender relações sintáticas mais elaboradas. Por exemplo, o paciente pode dizer alguma palavra e compreende a maioria das coisas que se lhe dizem. A escritura e a leitura também são habitualmente defeituosas, com numerosos erros na ortografia e de omissão de letras.
  2. Afasia sensorial ou de Wernicke: caracteriza-se por um predomínio dos transtornos da compreensão, sendo a articulação e a fluência normais na maioria dos casos. A expressão verbal está habitualmente aumentada, com certo grau de excitação e um desconhecimento do defeito por parte do paciente. Mesmo que a produção oral se realize sem esforço, com boa articulação e prosódia, predominam os vocábulos ininteligíveis (transformações afásicas ou parafasias) que conduzem a uma gíria difícil de entender e com um conteúdo vazio. Nos casos em que não se dá uma expressão excessiva (verborreia) salienta-se a falta de vocábulos (anomia). Também se encontram afetadas a capacidade de repetição e a denominação. O transtorno da compreensão é o mais significativo, embora com uma intensidade variável segundo a gravidade da lesão. Por exemplo, o paciente compreende muito mal o que se lhe diz e, mesmo que possa expressar-se, resulta difícil entender por utilizar palavras “estranhas” ou inadequadas, parecido com uma língua estrangeira, por isso resulta difícil manter uma conversa. A leitura e a escritura também estão alteradas. Embora exista capacidade para escrever, estes pacientes exprimem-se por escrito como falam, portanto a escritura é habitualmente difícil de entender.
  3. Afasia de condução: caracteriza-se por uma linguagem expressiva fluente, com certa anomia e parafasias, bem como uma capacidade de repetição alterada. Os pacientes podem apresentar dificuldades para compreender material mais complexo. Neste caso, os pacientes podem falar e compreender com relativa normalidade, mas com algumas pausas ao falar por não encontrar a palavra adequada ou substitui-la por uma outra que não corresponde, apresentando maiores dificuldades na altura de repetir. A leitura também se encontra muito afetada, no entanto os grafismos de escritura estão preservados, mas com numerosos erros durante o ditado e espontáneamente.
  4. Afasia anómica ou nominal: caracteriza-se por uma linguagem expressiva fluente, com normal articulação e estrutura, mas com uma dificuldade na evocação de palavras (anomia). Na expressão verbal podem aparecer circunlóquios (descrever uma palavra que não se pode recordar) e palavras gerais (utilizam a mesma palavra para se comunicarem). Também o défice anómico pode aparecer só na linguagem espontânea, sendo quase normal nomear uma imagem. Por exemplo, estes pacientes têm a sensação de saber o que querem dizer ou de “ter a palavra na ponta da língua”, mas não conseguem dizê-la, por isso explicam as características ou utilidade do objeto que tentam nomear. Embora a compreensão esteja preservada, podem apresentar dificuldades em tarefas mais elaboradas. Na leitura e escritura podem aparecer alguns erros, sendo mais patente a dificuldade para encontrar a palavra adequada ao escrever.
  5. Afasia motora transcortical: caracteriza-se por uma linguagem expressiva espontânea muito reduzida (não fluente). A expressão realiza-se com esforço, sendo lenta e breve. A denominação de imagens está alterada, no entanto a capacidade de repetição é melhor. A compreensão pode estar relativamente preservada. Estes pacientes falam muito pouco e com esforço, mas repetem muito melhor. Também podem apresentar uma expressão escrita reduzida, no entanto a leitura oral e a compreensão leitora encontram-se preservadas, mesmo que possam estar dissociadas, ou seja, habitualmente não compreendem o que leem. Se o quadro melhora, pode chegar a evoluir para uma afasia anómica.
  6. Afasia sensorial transcortical: caracteriza-se por uma dissociação entre uma boa capacidade de repetição e um defeito na compreensão de palavras que o paciente pode repetir, isto é, os pacientes não compreendem o que repetem. A expressão verbal é fluente, em forma de gíria e com predomínio da ecolalia (repetição das palavras ouvidas). A compreensão oral está habitualmente muito afetada. Estes pacientes podem repetir muito bem, mas não são capazes de entender o que repetem. A capacidade leitora pode ser afetada em diferentes graus e a compreensão escrita habitualmente está gravemente alterada. A expressão escrita também aparece em forma de gíria difícil de entender, isto é, os pacientes escrevem como falam.
  7. Afasia transcortical mista: caracteriza-se pela preservação da repetição e uma grave afetação da expressão e da compreensão. A expressão verbal fica reduzida a ecolalias e não existe capacidade para denominar imagens. Neste caso, os pacientes não podem expressar-se bem nem compreender, mas podem repetir, recitar, completar palavras e frases… Tanto a leitura como a escritura e a compreensão leitora encontram-se muito afetadas.

Os diferentes tipos clínicos de afasias descritos são os mais frequentes e podem evoluir ao longo do tratamento, chegando a passar de um quadro para outro de menor gravidade em função da melhoria conseguida.

Alterações da Fala: DISARTRIA

AS DISARTRIAS

A fala é uma das condutas mais complexas desenvolvidas pelos seres humanos. Para que a produção oral se realize com normalidade, é necessário um controlo adequado da respiração e da musculatura da laringe, faringe, palato, língua e lábios.

A disartria pode ser definida como uma alteração da articulação da fala devida a lesões no sistema nervoso central, bem como a doenças dos nervos ou dos músculos responsáveis pela fala.

Essas alterações na articulação manifestam-se mediante omissão, substituição, adição ou distorção de alguns ou mais sons, afetando a inteligibilidade da expressão verbal. Ainda, a essas alterações une-se a dificuldade para mover os órgãos bucais ao realizar qualquer atividade como sorver ou soprar. O caso mais extremo e grave da disartria seria a anartria ou impossibilidade para articular corretamente os sons da fala (fonemas).

A avaliação da disartria tem de ser minuciosa, dado que sintomas similares podem proceder de transtornos muito distintos, além de incluir quer a avaliação da fala quer a alteração dos músculos envolvidos na respiração, laringe, velo do palato, língua, lábios e mandíbula. Nos pacientes com disartria, os movimentos dos músculos da fala podem estar alterados na força, direcionalidade, amplitude, tempo ou resistência.

A disartria pode causar paralisia, debilidade e descoordenação da musculatura oral, podendo identificar-se seis tipos diferentes de disartria em função da localização da lesão em diferentes zonas do Sistema Nervoso Central:

  1. Disartria flácida: é devida a um dano nos neurónios dos nervos cranianos ou da medula espinal causado por infeções, acidentes cerebrovasculares, processos degenerativos ou doenças congénitas. Também os nervos cranianos ou espinais podem ser afetados por traumatismos, tumores, toxinas, processos inflamatórios e doenças autoimunes, carenciais ou metabólicas. A lesão de algum componente desta unidade motora inferior supõe a alteração do movimento voluntário, automático e reflexo, produzindo flacidez e paralisia com diminuição de reflexos musculares, atrofia das fibras musculares, debilidade ao exercitar a musculatura ocular e do pescoço, possível alteração da respiração, afetação da língua e dos movimentos do palato, diminuição do reflexo de náuseas, dificuldades ao deglutir, debilidade das cordas vocais, palato e laringe, voz rouca e pouco intensa, hipernasalidade e articulação distorcida das consoantes.
  2. Disartria espástica: é devida a um dano nas vias de ativação direta ou indireta desde o córtex ao tronco cerebral e medula espinal, que pode ter como causa acidentes cerebrovasculares, traumatismos cranianos, esclerose múltipla, encefalite, tumores extensos ou doenças degenerativas. As lesões destes neurónios motores superiores ocasionam debilidade e espasticidade num lado do corpo, nos músculos distais das extremidades, a língua e os lábios, resistência ao movimento passivo de um grupo muscular, reflexos de esticamento muscular exagerados, presença de reflexos patológicos como elevar o dedo gordo do pé com separação do resto dos dedos ao estimular a planta do pé (signo de Babinski), afetação da respiração e a fonação, com tom baixo e monótono e voz rouca, dificuldades na articulação e lentidão na fala, produção de frases curtas com interrupções tonais ou da respiração e alteração do controlo emocional com início repentino de pranto ou riso excessivos e sem motivo aparente
  3. Disartria atáxica: é devida a lesões no cerebelo, órgão que regula a força, velocidade, duração e direção dos movimentos ocasionados em outros sistemas motores, ocasionando hipotonia dos músculos afetados, alteração da direção, duração e intensidade dos movimentos, além de serem lentos e com força inapropriada, possível irregularidade dos movimentos oculares, afetação da fonação com uma voz áspera, monótona e com escassas variações na intensidade, distorções na articulação da fala e alterações da prosódia por ênfase em determinadas sílabas.
  4. Disartria por lesões no Sistema Extrapiramidal: constituído pelos núcleos cinzentos subcorticais e responsável por regular o tom muscular necessário para manter uma postura ou mudá-la, organiza os movimentos associados à marcha e facilita o automatismo nos atos voluntários que requerem destreza. As lesões no sistema extrapiramidal podem ocasionar dois tipos de disartria: 1) Hipocinética: caracterizada por movimentos lentos, limitados e rígidos, movimentos repetitivos nos músculos da fala, voz débil, articulação defeituosa e falta de inflexão, frases curtas, falta de flexibilidade e controlo dos músculos laríngeos, monotonia tonal e variabilidade no ritmo articulatório (doença de Parkinson) e 2) Hipercinética: caracterizada pela possível afetação de forma sucessiva ou simultânea de todas as funções motoras básicas (respiração, fonação, ressonância e articulação), sendo impossível predizer a sua ocorrência no tempo. Entre os transtornos mais relevantes encontram-se:
  • Coreias: doença do sistema nervoso caracterizada por movimentos involuntários e irregularidades, lentos ou rápidos, de um ou vários músculos. O tom muscular é baixo e existem transtornos na coordenação. Estes pacientes apresentam alterações da fala, distorção das vogais, uso de frases curtas, produção oral irregular e afetação da prosódia.
  • Atetose: é um transtorno neurológico caracterizado por movimentos involuntários e lentos na articulação, frequentes problemas respiratórios e de fonação, voz áspera, fala distorcida e tom monótono.
  • Tremor: é uma forma rítmica de movimento anormal que ocasiona, por vezes, interrupções na emissão da voz.
  • Distonía: trata-se de um movimento involuntário anormal, lento e sustentado que comporta alterações na prosódia, diminuição na altura tonal, inspirações audíveis e tremor da voz.
  1. Disartria mista: é a forma mais complexa de disartria, em que a disfunção da fala é o resultado da combinação das características próprias dos sistemas motores envolvidos, como no caso de tumores, inflamações, traumatismos, acidentes cerebrovasculares, doenças degenerativas ou desmielinizantes (esclerose múltipla).

O tratamento ortofonista estará dirigido a corrigir os defeitos na produção articulatória das palavras, seja por omissão, substituição ou deformação dos sons, para melhorar a articulação da fala, bem como modificar os sintomas que influenciam de forma significativa quer na inteligibilidade da fala quer na facilidade comunicativa da pessoa.

Para modificar os sintomas que apresenta um paciente é necessário intervir em vários campos fundamentais, tais como a postura, o tom e a força muscular, a mecânica respiratória, as deficiências laríngeas durante a fonação, o excesso de ressonância ou hipernasalidade, os defeitos na articulação e a alteração da prosódia. 

Alterações da Voz: DISFONIA

AS DISFONÍAS

A voz é um som produzido pela laringe a partir do ar pulmonar expirado, que depois é amplificado e reforçado pelas cavidades de ressonância (faringe, cavidade nasal, cavidade bucal e lábios). Mas, ainda, a voz não só reflete, mas é influída pelos diferentes estados de ânimo da pessoa, a sua personalidade, saúde, etc.

O cérebro governa o início de funcionamento do instrumento vocal e dirige a execução da atividade muscular envolvida (caixa torácica, pulmões, cordas vogais e órgãos ressonadores).

A disfonia é a alteração de algumas das qualidades acústicas da voz (intensidade, tom, timbre e duração) como consequência de um transtorno orgânico ou por um uso inadequado da voz (funcional), podendo ser permanente ou transitório. Portanto, a afonia seria a perda total da voz.

A etiologia das alterações da voz pode ser orgânica, fisiológica, psicológica e ambiental, existindo uns fatores que determinam a manifestação das citadas alterações ou que as mantêm, e até, as agravam, tais como as doenças do aparelho respiratório (laringite, bronquites crónicas, asma, vegetações…), malformações laríngeas, intervenções cirúrgicas, traumatismo laríngeo, uso respiratório e vocal inadequado, características comportamentais, o ambiente familiar e social e as alterações da audição, entre outros.

Determinar como e em que grau uma voz é patológica nem sempre é fácil, uma vez que são múltiplos os fatores que influem diretamente nessa estimação (circunstâncias afetivas e emocionais, fatores culturais, idade, sexo, exigências profissionais, autoavaliação da própria voz…). Portanto, para diagnosticar com precisão a patologia vocal, é preciso realizar um estudo exaustivo e minucioso em que se inclua, além dos dados relativos aos antecedentes familiares e pessoais, bem como à história da doença, uma exploração orgânica da faringe, laringe e cavidades de ressonância, uma exploração funcional da atitude postural, coordenação fono-respiratória, débito vocal e tempo máximo de fonação e expiração, uma exploração funcional laríngea mediante laringoestroboscopia ou fibroscopia e uma análise acústica da voz da frequência fundamental, extensão tonal, intensidade e fonetograma.

As disfonias podem ser classificadas em função de três criterios:

  1. Quantitativo
  • Afonia: perda total da voz.
  • Disfonia: alteração da voz em qualquer das suas qualidades.
  1. Localização
  • Laringofonias: são disfonias localizadas na laringe e que ocasionam uma má impostação (tom inadequado), rouquidão vocal (voz muito forte, sem timbre e demasiado grave), uma laringite funcional (processos inflamatórios por um abuso prolongado da voz a berrar) e fonastenia ou cansaço vocal (voz débil, pouco profunda e sem timbre).
  • Rinofonias: são alterações da ressonância ou nasalização da fonação. Podem ser:

. Rinofonías abertas: o ar foge pelo nariz durante a fonação.

. Rinofonías cerradas: uma obstrução nasal que impede a passagem do ar pelas fossas nasais.

  1. Etiología
  • Disfonias orgânicas: produzidas por lesões nos órgãos da fonação devidas a causas congénitas (lesões cerebrais, malformações, paralisia, fatores endócrinos…), inflamatórias (laringite aguda e crónica) e traumáticas (lesões por feridas, queimaduras, radioterapias, intervenções cirúrgicas…).
  • Disfonias funcionales: produzidas por uma alteração da atitude vocal que pode complicar-se com lesões orgânicas da laringe provocadas pelo esforço vocal (nódulos) ou por alterações orgânicas transitórias (laringite). São fatores desencadeantes a laringite aguda, os traumatismos e as alergias, os fatores psicológicos, as doenças sistémicas, etc. São fatores favorecedores a obrigação de falar ou cantar, as características psicológicas pessoais, o consumo de tabaco e álcool, afeções crónicas otorrinolaringológicas, um mau controlo audiofonatório, uma técnica vocal defeituosa, exposição a ruídos excessivos, pó, vapores irritantes, etc.

De acordo com a alteração da atitude vocal e como o paciente a compensa, podem distinguir-se dois tipos de disfonia funcional:

. Hipercinética ou hipertónicas: excessiva tensão das cordas vocais durante a fonação, com comportamento de esforço.

 . Hipocinéticas ou hipotónicas: as cordas vocais não se fecham totalmente por falta de tensão muscular, com compensação das estruturas adjacentes.

No caso das disfonias funcionais, um comportamento de esforço vocal pode dar lugar a uma alteração laríngea objetivável, é o que se conhece como laringopatias funcionais, alterações da mucosa da prega vocal produzidas por um comportamento vocal defeituoso, ocasionando a formação de nódulos e pólipos.

Em geral, as disfonias orgânicas têm tratamento cirúrgico e, posteriormente, reabilitador, no entanto as funcionais têm uma intervenção ortofonista mas, segundo os casos, precisam de um ato cirúrgico ou medicação.

A intervenção ortofonista das alterações da voz vai dirigida a restabelecer a postura adequada e a mecânica respiratória correta, reduzir a tensão muscular e eliminar os esforços laríngeos, bem como adaptar as cavidades de ressonância ao som emitido pela laringe.

No início da reeducação vocal tem de se proporcionar, segundo os casos, uma informação detalhada ao paciente sobre uma correta higiene vocal orientada a diminuir as agressões vocais e a exercitar uma prevenção ativa, aconselhando a reduzir hábitos tóxicos e fatores predisponentes (ambientes secos, frios ou muito quentes, alterações bruscas da temperatura ambiental…), não fazer um uso prolongado da voz, tratar adequadamente as alterações e infeções das vias aéreas superiores, manter um ritmo de vida o mais saudável possível, empregar a voz num volume moderado, etc.

A reeducação vocal consiste em restabelecer uma adequada atitude postural para conseguir a melhor voz com o menor esforço possível, exercícios de relaxação para reduzir a tensão muscular, exercícios respiratórios dirigidos a prolongar a fonação, regular o ar expirado, aumentar ou diminuir o volume da voz e conseguir uma correta respiração, bem como restabelecer as qualidades do som que se encontrem alteradas (intensidade, duração, tom e timbre).

Funções do Trabalhador Social

A figura do/a trabalhador/a social no âmbito da saúde, e mais no dano cerebral, é relativamente inovador. Nasce devido às latentes necessidades dos pacientes; não só de reabilitar a parte psicológica ou motora, mas também a situação social.

Os primeiros momentos do dano cerebral, para os familiares, são muito difíceis de gerir, uma vez que prima o estado do paciente sobre o que irá acontecer depois, mas o trabalhador social dedicado ao Dano Cerebral Adquirido, trata a fase subaguda em que o paciente e a família estão muito envolvidos na reabilitação. Reabilitação de todos os aspetos danificados, e em que intervêm todos os profissionais de forma multidisciplinar e em coordenação para conseguir uma melhoria substancial.

A figura do trabalhador social centra-se em:

Fase inicial:

–          Receção de casos para avaliar a estrutura social familiar, o apoio que o paciente recebe e os meios económicos de que dispõem.

–          Assessoramento sobre os recursos e ajudas que podem gerir (lei de dependência, deficiência, incapacidade laboral…).

Durante o tratamento:

–          Nexo de união entra famílias e pessoal médico e profissional da clínica para uma melhor comunicação e compreensão entre os mesmos.

–          Assessoramento sobre ajudas técnicas necessárias de cada paciente em função dos recursos económicos.

–          Procura de recursos à alta e coordenação com serviços sociais da zona e Trabalho Social do Hospital de referencia.

–          Atenção às famílias, orientando-as e ajudando-as a enfrentar a nova situação social.

Depois da alta hospitalar:

–          Apoio às famílias na fase de volta para o domicílio.

–          Prevenir a sobrecarga familiar, acompanhando-os na resolução de problemas de índole social que se geram durante o processo de recuperação.

–          Assessoramento na normalização e reeducação da vida diária do núcleo familiar.

Funções do Neuropsicologo

PEDIDO DE INTERVENÇÃO

Inicialmente, a atuação do neuropsicólogo pode vir solicitada com uma finalidade de avaliação e diagnóstico das funções psicológicas superiores e do estado afetivo-comportamental, com o objetivo de conhecer o problema que apresenta o paciente, a causa e as implicações do mesmo.

De maneira mais específica, o objetivo da avaliação pode ir encaminhado à deteção e localização de lesões cerebrais, em casos como afetações cerebrais de escassa gravidade, início de processos degenerativos, disfunção cerebral mínima, etc.

Os diagnósticos diferenciais também podem ser um objetivo da avaliação neuropsicológica, ou seja, discriminar se as alterações que o paciente apresenta têm uma base orgânica, ou pelo contrário são funcionais, como por exemplo o diagnóstico diferencial de depressão/demência.

Igualmente, o processo de avaliação pode ir dirigido para o estudo e deteção da simulação nos procedimentos judiciais, nos quais pode haver dúvida da veracidade da afetação e/ou a exageração das possíveis alterações.

No mesmo âmbito judicial, a avaliação pode ir orientada para a realização de peritagens neuropsicológicas forenses, nas quais se trata de objetivar e determinar com o maior grau de exatidão possível as dificuldades e as suas implicações para a vida da pessoa. Isto é, são avaliadas as consequências associadas a transtornos neurológicos na sua vertente biopsicossocial e laboral.

Relativamente ao âmbito laboral, a avaliação das funções psicológicas após uma lesão cerebral é realizada para considerar a possível reintegração ao âmbito laboral.

Por outra parte, com população infantil o estudo pode ir encaminhado a aspetos mais específicos, como a avaliação do atraso mental e a avaliação das necessidades educativas especiais.

O QUE É QUE O NEUROPSICÓLOGO AVALIA E VALORIZA

Basicamente podemos dividir o campo de estudo do neuropsicólogo em dois: as funções psicológicas superiores e os afetos, as emoções e o comportamento.

As funções psicológicas superiores são aquelas capacidades cognitivas que nos permitem enfrentar, de maneira eficaz e com eficiência, as exigências da vida diária a que nos encontramos expostas as pessoas ao longo da nossa vida, e podemos distinguir as seguintes:

–       A orientação: abrange 4 dimensões. A pessoal, em que se explora a informação mais essencial e próxima à pessoa (nome, idade, data de nascimento, estado civil…). A temporária, em que se avaliam os parâmetros temporários (dia da semana, dia do mês, mês e ano). A espacial, em que se estuda o grau de conhecimento que tem a pessoa sobre a sua localização (lugar em que se encontra, cidade…). A situacional explora o grau de conhecimento que tem a pessoa sobre a sua situação presente (o que lhe aconteceu, onde está e porque está no hospital…).

–       A atenção: é o mecanismo básico que subjaze a todos os processos cognitivos e que possibilita que a pessoa possa centrar-se em qualquer atividade que se proponha, sem perder o curso da mesma, podendo manter-se um período imerso numa atividade (estudar, conduzir, ler um livro, ver televisão, seguir uma conversa, levar a cabo qualquer tarefa doméstica e rotineira da casa…).

–       A heminegligência: é a dificuldade para atender e responder aos estímulos de um hemiespaço e um hemicorpo, contralateral à lesão.

–       A velocidade de processamento da informação e execução: é a velocidade com que o nosso cérebro processa a informação e pode emitir uma resposta. Qualquer atividade da pessoa necessita uma velocidade adequada para funcionar de maneira eficaz. Após uma lesão cerebral, o cérebro torna-se mais lento necessitando mais tempo para fazer qualquer atividade (falar, responder, pensar, escrever…).

–       A linguagem é a faculdade que nos permite comunicar com os outros, podendo-se considerar uma modalidade expressiva e outra compreensiva, por isso permite-nos entender as mensagens transmitidas e emitir as nossas próprias. Ou seja, é a base das relações pessoais e da comunicação social. Da mesma forma, a linguagem é um instrumento para a atividade intelectual (pensar, memorizar, representar a realidade…) e para a organização e regulação dos processos mentais (planear, programar…). A linguagem pode ver-se alterada de diferentes formas, constituindo cada uma delas uma síndroma característica (afasia).

–       A leitura e a escritura são formas especiais de linguagem compreensiva e expressiva. Por isso, as pessoas com alterações na linguagem (afasias) vão ter dificuldades para se exprimirem por escrito ou entender instruções e mensagens escritas. Também podemos avaliar as alterações da leitura e da escritura de maneira independente e sem alterações na linguagem (alexia e agrafia).

–       A destreza aritmética é a capacidade para identificar e compreender o valor numérico e realizar operações de cálculo (manejo do dinheiro, contas e problemas…). Igualmente encontra-se afetada nas alterações da linguagem, mas também se podem apresentar alterações de maneira independente (acalculia).

–       A memoria constitui um dos campos mais importantes da exploração neuropsicológica. O tipo de problema variará em função das estruturas cerebrais afetadas. Umas pessoas irão ter alterações generalizadas, outras para reter a informação verbal (nomes, textos…), outras para reter a informação visual (imagens, cenas, espaços físicos…), em outras para a informação mais imediata, (repetir um número de telefone), em outras os problemas serão para reter a ordem temporária dos factos, etc. A memória é o que faz, em grande parte, com que as pessoas sejam diferentes. “Somos o que é a nossa memória”, desde que nascemos vamos acumulando experiências e lembranças, e quando aquelas desaparecem por uma lesão, apaga-se toda a nossa história pessoal. As dificuldades podem tornar-se patentes na vida diária apresentando problemas para reter a informação que direta ou indiretamente lhe seja administrada à pessoa (o que fez no dia anterior, a quem ligou por telefone, conversas, filmes, leitura de imprensa e livros, e também se pode repetir em determinados aspetos por esquecer que já falou deles…), bem como de memória prospetiva (o que tem que fazer amanhã, o que se deve comprar, o almoço que tinha que fazer hoje…). Igualmente, os problemas de memória podem comportar a impossibilidade para reconhecer caras e pessoas familiares (pode considerar-se a esposa e os filhos como estranhos), ou o espaço imediato em que nos movemos (desorientar-se e perder-se num lugar conhecido).

–       As funções executivas são avaliadas de maneira rigorosa na exploração neuropsicológica, constituindo as capacidades cognitivas envolvidas na iniciação, planeamento, programação, controlo e regulação de todos os processos cognitivos e do comportamento. Possibilitam manejar adequadamente a informação que nos chega, permitindo-nos compreender e integrar eficientemente as exigências da vida diária, e atuando de uma forma programada e planeada, antecipando as consequências da nossa conduta (elaborar as refeições, as atividades domésticas, fazer as compras…).

–       As funções visuais superiores  vão ser necessárias para manejar toda a informação na modalidade visual que percebemos diariamente, e distinguimos entre as mesmas três grupos:

–       Funções visuopercetivas:

o    Problemas na análise e síntese visual (discriminar diferenças entre imagens similares, inferir uma imagem a partir de um elemento).

o    Problemas na análise e síntese visual (discriminar diferenças entre imagens similares, inferir uma imagem a partir de um elemento).

o    Dificuldades no reconhecimento facial (o paciente não reconhece caras, nem sequer das pessoas mais próximas).

–       Funções visuoespaciais:

o   Problemas para localizar um ponto no espaço e fazer acompanhamento visual.

o    Problemas para apreciar a distância de um ponto no espaço.

o    Dificuldades para reconhecer a mesma imagem ou objeto em diferente posição.

o    Problemas de orientação topográfica (as pessoas desorientam-se espacialmente e podem chegar a perder-se).

o    Heminegligência visual (dificuldades para responder à estimulação de um lado do espaço, pode ser o direito ou o esquerdo).

–       Funções visuo-construtivas:

o    Problemas para unir (fazer quebra-cabeças, construir figuras com partes…).

o    Problemas para copiar e realizar desenhos.

–       As funções motoras são exploradas mediante o estudo da motricidade, lateralidade manual, a orientação direita/esquerda, a coordenação visomotora e a realização de movimentos e gestos (praxias) com as mãos (complexas) e com a boca e cara (orofaciais).

–       A perceção e reprodução de estruturas rítmicas consiste na imitação e realização de sequências e ritmos, cuja alteração está muito relacionada com transtornos como a dislexia ou as afasias.

–       A exploração das funções superiores cutâneas e cinestésicas  procede por estudar as sensações cutâneas e as musculares e articulares. São de grande importância para examinar as áreas do cérebro que recebem essa informação, avaliando-se também o tato, a discriminação e sensibilidade tátil.

–       Funcionamento intelectual geral ou cociente intelectual (C.I.): mediante escalas de inteligência obtemos o rendimento intelectual geral da pessoa, como medida global do funcionamento cognitivo.

Do ponto de vista afetivo-comportamental, tratam-se os seguintes problemas:

– Apatia, desinteresse e desmotivação.

– Falta de iniciativa e incumprimento de atividades.

– Impulsividade.

– Falta de consciência de doença e dos défices (anosognosia).

– Confabulação (lacunas de memória que o paciente preenche com fantasia e têm repercussão comportamental).

– Irritabilidade e agressividade.

– Conduta sexual inapropriada.

– Desinibição.

– Despersonalização (sentimentos de estar separado do próprio corpo e processos mentais).

– Desrealização (sensação de que o que vive o paciente é irreal e estranho, como um sonho).

– Atitude pueril e imaturidade.

– Egocentrismo.

– Labilidade emocional (alterações de humor rápido)

– Dificuldade para a expressão emocional (aprosodia).

– Dificuldade para o controlo e regulação comportamental.

– Défice nas habilidades sociais.

– Suspicácia ou ideação paranoide.

– Alterações no conteúdo do pensamento (ideias delirantes, sobrevalorizadas, obsessivas…).

– Alterações no curso do pensamento (concretismo, rigidez, pensamento prolixo, perseverante…).

– Alterações percetivas (alucinações).

– Transtornos do estado de ânimo.

Do ponto de vista psicopatológico, são avaliadas alterações que podem vir associadas ou não à lesão cerebral:

– Transtornos por ansiedade.

▪ Fobias específicas.

▪ Fobia social.

▪ Agorafobia.

▪ Transtorno por pánico.

▪ Transtornos obsessivos compulsivos.

▪ Transtorno por stress pós-traumâtico.

▪ Ansiedade generalizada.

– Disfunções sexuais.

▪ Desejo sexual hipoativo.

▪ Transtorno por aversão ao sexo.

▪ Transtorno da ereção no homem e da excitação na mulher.

▪ Transtorno da ejaculação.

▪ Transtorno orgásmico feminino.

▪ Problemas e terapia de casal.

– Transtornos somatoformes.

▪ Hipocondria.

▪ Trastorno dismórfico corporal.

– Transtorno do estado de ânimo.

▪ Depressão.

▪ Trastornos bipolares.

– Transtorno factício (fingimento ou produção intencionada dos sintomas).

– Transtornos da Personalidade.

Especificamente, em população infantil é avaliado:

– Encefalopatias e paralisia cerebral.

– Transtornos das funções cognitivas.

▪ Problemas de aprendizagem (leitura, escritura e cálculo).

▪ Deficiência mental.

– Transtorno da linguagem.

– Transtornos da comunicação e interação social.

– Transtorno das condutas motoras

▪ Problemas de lateralização.

▪ Disgrafias.

▪ Dispraxias.

▪ Instabilidade psicomotora.

– Transtornos do comportamento.

▪ Comportamento negativista, desafiante, hostil e agressivo.

▪ Fobias e medos.

▪ Condutas e rituais obsessivos.

▪ Condutas histéricas.

▪ Transtornos por défice de atenção com hiperatividade.

– Transtornos afetivos.

▪ Depressão.

▪ Angústia e Ansiedade.

– Problemas de controlo de esfíncteres.

DEVOLUÇÃO DA INFORMAÇÃO:

Após ter finalizado a avaliação, procede-se a comunicar os resultados mediante dois procedimentos:

–       Realização de relatório escrito.

–       Informação verbal à família e/ou ao paciente.

ESTABELECIMENTO DE OBJETIVOS E ELABORAÇÃO DO PROGRAMA DE INTERVENÇÃO

Posteriormente, são estabelecidos os objetivos gerais, os objetivos específicos iniciais e é elaborado o programa de intervenção:

–       Objetivos psicológicos e neuropsicológicos.

–       Objetivos cognitivos específicos para desenvolver em Terapia Ocupacional.

INTERVENÇÃO 

O seguinte passo é a intervenção, a reabilitação e levar a cabo os tratamentos psicológicos e neuropsicológicos apropriados, usando o amplo repertório de técnicas e procedimentos psicoterapêuticos disponíveis com adultos, adolescentes ou população infantil.

Estabelecimento das pautas para o manejo do paciente pelo pessoal hospitalar e pela família (programas de modificação de conduta, agressividade, problemas de memória severos…).

ACOMPANHAMENTO

–          Acompanhamento do curso evolutivo cognitivo-comportamental dentro do processo terapéutico.

–          Reestruturação dos objetivos iniciais.

–          Elaboração de relatórios clínicos trimestrais.

–          Informação periódica à familia.

–          Coordenação e supervisão de Terapia ocupacional.

ALTA

Elaboração de relatórios clínicos de alta dos pacientes tratados, nos quais se reflete de forma detalhada qual é a situação psicológica ou neuropsicológica à alta e são estabelecidas umas orientações.

Funções do neurologista

O objetivo principal do neurologista é de otimizar o estado médico, neurológico e condutual do paciente.

Quando o paciente ingressa, o médico neurologista encarrega-se de avaliar inicialmente o paciente, os seus antecedentes e a sua situação atual:

  1. Avaliação inicial do paciente: Através do exame neurológico, pode determinar-se o lugar da lesão para poder ajudar a dirigir o tratamento mais adequado. Também se identificam os défices físicos, neurológicos, cognitivos e condutuais que irão prejudicar a recuperação funcional do paciente, bem como a capacidade de realizar tarefas específicas.
  2. Antecedentes pessoais: O neurologista deve conhecer as doenças prévias ao ingresso, quer dizer, as comorbilidades médicas que devem ser tratadas. Concretamente, a hipertensão arterial, a dislipidemia, a diabete e os problemas cardíacos.
  3. Avaliação da situação atual do paciente com o objeto de prevenir as complicações derivadas da medicação, as doenças prévias e o dano cerebral. Por exemplo, crises epiléticas, infeções (respiratórias e urinárias), desidratação, síncopes, etc.

Durante o ingresso, é supervisionado e controlado o tratamento farmacológico tanto neurológico como médico. Se for necessário, são solicitadas provas diagnósticas que ajudem ao diagnóstico (analíticas, provas de neuroimagem e neurofisiológicas) ou a opinião de um segundo especialista quando as patologias associadas o requererem.

Todas as semanas a equipa de neurorreabilitação se reúne em sessão clínica para comentar os objetivos neurorreabilitadores de cada paciente e os progressos e impedimentos para alcançar estes objetivos (por exemplo: dor, depressão, espasticidade, manifestações extrapiramidais, instabilidade cardiovascular ou respiratória).

No momento da alta hospitalar, o neurologista avalia a sua evolução médica e as sequelas neurológicas para emitir um relatório médico junto com a equipa de neurorreabilitação.